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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A viagem do elefante



Obra mais recente do romancista José Saramago. Escrita bacana, personagens magistrais e tristes. Tão humanos que chegam a ser reais.
No início da leitura tive a impressão de haver uma intermitente necessidade do autor "rezar" as suas mágoas contra a doutrina cristã. Nada demais. Afinal, toda sempre carrega as características do seu criador. Conquanto, nada que tenha comprometido a grandeza da narrativa que segue sem maiores obstáculos.

Custa assinalar que Saramago facilita muitíssimo a vida do leitor ao utilizar seu invento bastante popular: diálogos divididos tão somente por vírgulas.

As personagens da trama ganham vida e é possível imaginar essas criaturas tal como se estivessem a nossa frente. O elefante salomão, que depois viera a chamar-se solimão, apresenta-se protagonista basilar dessa viagem que confronta as peculiaridades da natureza elefantina com a complexidade da natureza humana.

"Impelido a cruzar meia Europa por conta de um rei e de um arquiduque, Salomão não decepcionou as cabeças coroadas. Prova de que, remata o autor, sempre se chega aonde se tem que chegar".

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